Saúde, conveniência, estilo e sustentabilidade deram o tom da maior feira de alimentos e bebidas do mundo, que revelou a transformação dos hábitos de consumo e as respostas da indústria a esse movimento.

A Anuga 2025 consolidou-se como a maior feira global de alimentos e bebidas, com forte ênfase em produtos que unem benefício funcional, conveniência e comunicação visual — tudo alinhado a práticas de sustentabilidade que já são exigência do mercado.
A edição de 2025 da Anuga foi a maior da história da feira, que existe há mais de um século. Recebeu mais de 145.000 visitantes, 8.000 expositores e contou com a presença de 190 países. O impacto digital também foi recorde: a Anuga alcançou mais de 3 milhões de pessoas, 25% a mais em comparação com a edição anterior. Esses números confirmam o alcance e a relevância comercial do evento.
Mais do que inovação, a feira mostrou que a alimentação continua sendo uma linguagem cultural poderosa. Cada pavilhão revelou hábitos, histórias e tradições, conectando países e pessoas por meio de sabores e experiências sensoriais.
A Anuga funciona como um mapa global do comportamento do consumidor — um lugar onde se enxerga, com clareza, como as mudanças sociais, tecnológicas e culturais se materializam em produtos reais, prontos para a gôndola.
E, assim como nas edições anteriores, quatro grandes movimentos orientaram as principais inovações: Saúde, Conveniência, Estilo e Sustentabilidade. A diferença é que, em 2025, esses pilares se entrelaçaram de forma ainda mais evidente, tornando difícil separar funcionalidade de visual, ou tecnologia de propósito.
Os produtos são híbridos porque o consumidor se tornou híbrido: busca cuidado com o corpo, rapidez no dia a dia, estética apurada e decisões de compra alinhadas ao impacto ambiental.
Saúde: quando os produtos passam a atuar no bem-estar do dia a dia
Do cuidado digestivo à saúde mental, os lançamentos mostraram que comer bem deixou de ser apenas prevenção e passou a ser ação concreta.
O pilar da Saúde — já estabelecido nas últimas edições — ganhou ainda mais protagonismo. Os dados da Innova Trend Survey 2025 (Innova Market Insights) reforçam esse cenário: 47% dos consumidores afirmam se preocupar muito com a própria saúde física, e isso se traduz diretamente nos lançamentos apresentados.
O que mais chamou atenção na Anuga 2025 foi a virada de chave: os produtos deixaram de apenas evitar ingredientes nocivos para oferecer benefícios ativos e mensuráveis.
A bebida funcional da CO8, por exemplo, propõe melhorar a digestão e o equilíbrio do microbioma intestinal. Já o açúcar de coco tailandês, 100% orgânico, aparece como alternativa natural com baixo índice glicêmico — e o rótulo faz questão de destacar esse diferencial.
A busca por produtos que entregam “resultados visíveis” também se reflete em marcas como a BYON, que apresentou bebidas com alto teor de colágeno e micronutrientes voltadas à beleza de dentro para fora.
As granolas e barras funcionais segmentadas por objetivo — foco, saciedade, imunidade, bem-estar digestivo — mostram que o consumidor não quer apenas um snack: quer impacto na rotina.
A onda da saúde também está profundamente conectada à funcionalidade. O sucesso de formatos porcionados, como o snack probiótico em embalagens individuais, mostra como a indústria entendeu que a adesão aumenta quando o consumo se encaixa na vida real, sem medição ou preparo.
Proteína para todos os momentos do dia
A Anuga mostrou como esse ingrediente saiu do universo fitness e se integrou à rotina alimentar global.
Se existe um tema que dominou a feira, foi proteína. O dado da Innova — 58% dos consumidores incluem proteínas ativamente na dieta — explica por que tantas marcas passaram a destacar esse atributo como protagonista de embalagem.
E a pluralidade impressiona.
A Nissin, gigante do macarrão instantâneo, surpreendeu com o Cup Noodles Protein, provando que até os ícones de conveniência podem evoluir para responder ao desejo por maior densidade nutricional.
Na mesma linha, a Govifarm apresentou massas ricas em proteína e fibras, usando cereais, leguminosas e superfoods para reconstruir a matriz nutricional da categoria.
A proteína também apareceu em snacks que fogem do óbvio, como o crocante de feijão da Letônia, e até em marcas de indulgência que entraram para o movimento proteico com embalagens redesenhadas para evidenciar a quantidade por porção.
Outro destaque curioso foi o snack da Protein Ball Co, desenvolvido para ser compartilhado entre tutores e cães — um exemplo de como a tendência pode gerar experiências afetivas e novos territórios de consumo.
Por: Rafaella Napolitano
Representante do Instituto de Embalagens na Europa