A INDÚSTRIA DO PAPELÃO ONDULADO JÁ ESTÁ NA ECONOMIA CIRCULAR

Assunta Napolitano Camilo

A reciclagem tem papel importante para evitar o esgotamento das matérias-primas, seja de fonte renovável ou fóssil. O Brasil é um dos maiores recicladores de papelão ondulado no mundo, recuperando mais de 80% de tudo o que é comercializado no país e 67% das embalagens de papelão ondulado são produzidas com fibras recicladas, segundo a Empapel (Associação Brasileira de Embalagens em Papel). Além de ser amplamente reciclado, o papelão ondulado é de fonte renovável, proveniente de florestas plantadas e certificadas, e de matriz energética limpa (hidrelétricas).

A reciclagem das fibras celulósicas é extremamente simples, e até mesmo intuitiva, pois o material se “desmancha” em água e facilmente se mistura ao material (celulose) virgem. Esse material recuperado é fator decisivo de competitividade do setor, que assim promove a economia circular naturalmente. Na estrutura do papelão ondulado, o papel miolo dá o nome ao tipo de produto por sua forma de onda, que geralmente é composto em sua totalidade de papel recuperado e/ou reciclado. Ou seja, o ecossistema que gera um rejeito se abastece dele mesmo para a fabricação de novos produtos.

A Irani Embalagens, empresa nacional fabricante de papel e papelão ondulado, também se destaca em processos de recuperação para maior uso de aparas em seu processo. Ela criou uma área de recuperação de embalagens mistas (papel e plástico), onde consegue separar o plástico do papel. O papel volta para seu processo produtivo para a fabricação de novas embalagens, enquanto o plástico vira madeira sintética para a fabricação de móveis, decks, mourão de cercas, entre outros produtos. Dessa maneira, a empresa tem acesso à fonte de matéria-prima alternativa e com custo baixo, pois anteriormente esses materiais eram descartados em aterros. Além disso, investiu em tecnologia para conseguir atingir níveis de qualidade aceitos por seus clientes, dedicando, com isso, o uso de papéis virgens onde realmente eles são necessários.

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Um projeto recente da Irani em parceria com a Papirus, fabricante de  papelcartão, é uma embalagem sustentável e renovável destinada ao mercado de delivery, take away e fast food: a Vitabox.  A embalagem é composta por papelcartão nos recipientes internos e papelão ondulado na caixa externa. A solução é 100% reciclável, os potes foram produzidos com fibras provenientes de base florestal renovável e a caixa externa foi desenvolvida com matéria-prima reciclada, oriunda de aparas de papelão ondulado pós-consumo. Além disso, a Vitabox faz parte de uma verdadeira cadeia de economia circular, podendo retornar ao processo produtivo para se transformar em novas embalagens.

O primeiro cliente que utilizou a embalagem é a Cheftime, marca de gastronomia do Pão de Açúcar, para kits gastronômicos para o preparo de receitas criadas por chefs: Bacalhau cremoso gratinado, Hambúrguer de costela com queijo e cebola caramelizada, e Paella valenciana com frutos do mar. Na embalagem, os clientes têm acesso a ingredientes frescos e porcionados e o passo a passo detalhado para o preparo dos pratos.

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O reaproveitamento das embalagens é uma forma de gerir de maneira eficiente os resíduos, poupando os recursos naturais.

Algumas empresas reutilizam a embalagem de papelão ondulado, como é o caso de algumas fabricantes de hambúrgueres que reutilizam as caixas de papelão que vêm com os cartuchos para os hambúrgueres a fim de transportar esses produtos embalados, sendo, portanto, utilizadas duas vezes, no mínimo.

Da mesma forma, alguns mercados oferecem caixas de papelão ondulado vazias para serem utilizadas como embalagens das compras para transportá-las até as residências.

Embalagem e Sustentabilidade

A relação embalagem e sustentabilidade tem se tornado o centro de preocupações de grande parte da sociedade. O tema tem sido alvo da imprensa, que nem sempre tem elementos para julgar ou propor os melhores caminhos para a solução, o que piora ainda mais o quadro.

Se jogadas ou deixadas à deriva, as embalagens, com certeza, se tornarão resíduos sólidos poluidores, um verdadeiro problema da sociedade atual. No Brasil, ainda devemos percorrer o caminho já trilhado pelos países do primeiro mundo: conscientizar a população para a importância da reciclagem das embalagens.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), lei promulgada no Brasil em agosto de 2010, impõe responsabilidade a todos os atores envolvidos: sociedade, indústria que utiliza embalagens, indústria que as produz, distribuidores dos bens e o próprio Estado. Cada um deve fazer a sua parte para a solução da questão.

O Estado deve promover a educação e a coleta seletiva. A sociedade deve cuidar para que a seleção seja feita de forma correta. A indústria tem que privilegiar o uso de materiais de fonte renovável ou de materiais reciclados ou, no mínimo, materiais que possam ser reciclados. Enfim, todos devem estar comprometidos com o bem comum! A sustentabilidade deve ser praticada a partir da verdade. Precisamos ser honestos para que o tema seja discutido em alto nível e as soluções tenham credibilidade.

D  izer que uma embalagem é mais sustentável ambientalmente do que outra só é possível se for feita uma análise do ciclo de vida das duas soluções de forma correta e nas mesmas bases, na mesma situação.

Em relação à questão social, cabe ressaltar o importante papel da   embalagem de papelão ondulado para a redução de desperdício de alimentos, já que é produzida sob medida para acondicionar frutas, legumes e hortaliças.

As embalagens de papelão ondulado também são utilizadas em campanhas sociais, como a Campanha do Agasalho, em São Paulo. Em 2022, a Klabin completa 21 anos de parceria com o Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo (Fussesp).

Ao longo dessas quase duas décadas, mais de 360 mil caixas foram distribuídas por todo o estado.

Em outra ação, também da Klabin, a empresa doou 100 berços de papelão ondulado para a Escola Internacional de Aldeia (PE), que está promovendo um projeto social em parceria com o Instituto Amigos da Rua (IAR), no município de Camaragibe (PE). A iniciativa tem o objetivo de distribuir os berços acompanhados de enxovais para mães e bebês em situação de rua.

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Simples de montar, portátil e com apelo estético que remete ao universo infantil, os berços de papelão ondulado foram idealizados pela área de engenharia de embalagens da unidade goiana da Klabin, exclusivamente para essa ação.

O apoio ao projeto permite o auxílio a recém-nascidos de 100 famílias, além de reforçar o comprometimento da empresa com causas que beneficiem as comunidades nas regiões de atuação da companhia.

É por meio de suas embalagens que a WestRock conecta pessoas a produtos, embalando e transportando itens essenciais à população, como: água, alimentos, medicamentos, produtos de higiene e saúde. Na pandemia, a empresa apoiou a ação de seu cliente Ovos Mantiqueira, juntamente com a família Abílio Diniz, criando uma embalagem para doação de 12 milhões de ovos para comunidades em vulnerabilidade social em diversas cidades do país. A iniciativa beneficiou mais de um milhão de famílias com uma das mais importantes fontes de proteínas, vitaminas e minerais, além de levar alegria e diversão.

(Este é o Joaquim Frederico, nosso gatinho feliz com a casa nova!)

A WestRock, tendo por base os Rs de sustentabilidade – Repensar, Reduzir, Reutilizar, Reciclar e Regenerar – repensou as embalagens tradicionais para ovos e as transformou em uma caixa para ser reutilizada como um brinquedo lúdico e criativo. A embalagem se transformava em uma “casinha” para que crianças das comunidades pudessem soltar a imaginação e vivenciar momentos mais leves, especialmente em tempos tão difíceis.

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