As embalagens na era do Marketing 4.0

Acabo de regressar dos Estados Unidos, onde participei de mais um encontro da DSCOOP, uma cooperativa de soluções digitais. Foi o décimo deles e o terceiro meu, e é incrível notar a evolução. A velocidade das inovações e novas aplicações surpreende até mesmo quem está acompanhando feiras, congressos e mercados pessoalmente ou pelos canais de notícias on-line ou revistas. A impressão digital já é realidade para os mercados editorial e promocional, agora chega com força às embalagens.

Estamos na era das conexões. Uma vez que o conhecimento e as informações estão disponíveis, o importante é saber como estabelecer as conexões dessa massa de dados para usá-la e transformar o negócio. Aliás, eventos como esse permitem justamente conhecer pessoas, estabelecer novos contatos e, a partir de conversas, poder aprender, entender e nos preparar para atender melhor os clientes.

Foi, na verdade, um grande show completo: no térreo havia exposição de máquinas em funcionamento, apresentações de equipamentos complementares de final ou início de linha, além de fornecedores de insumos, matérias-primas, acessórios e serviços. Já na parte de cima havia palestras, congressos e cursos da Universidade DSCOOP, criados para levar conhecimento específico para esse público. A grade dos eventos envolvia: sessões técnicas de temas variados, como gestão, questões financeiras, marketing, manutenção, aplicações e novidades; palestrantes-chave, os chamados keynotes speakers; e convidados especiais, que proferiram conferências interessantíssimas, como Jim Stengel, autor do livro Grow, que falou sobre liderança.

Foi um evento superlativo. Para se ter uma ideia, foram mais de 150 sessões de educação com a presença de mais de 100 parceiros da HP e 2.500 profissionais visitantes. Sobre a questão do marketing 4.0, cada vez mais são impostas demandas de relevância e conveniência para as empresas poderem atrair e emocionar os consumidores. Empresas como a UniPacking, da França; a Matlet, a ILS e a Nosco, dos Estados Unidos; entre outras do Japão, Alemanha, Inglaterra e também do Brasil estão investindo em tecnologia digital de impressão para embalagens com o intuito de se adequar às necessidades dos clientes finais.

Por exemplo, observamos numa embalagem de biscoito para crianças, a Footies, da empresa francesa Vivagoo, a integração da marca com as ferramentas de mídia on-line. As crianças podiam ler o QR código com seu celular e navegar no vídeo da internet, concorrer a prêmios e ao mesmo tempo degustar os biscoitos divertidos, os quais tinham o formato de camisetas de futebol. Já a Unipackaging, também da França, desenvolveu para a linha de produtos orgânicos da Yoogi 14 sabores de purês em embalagens stand up pouchs. Os produtos eram dedicados a bebês, então tinham lotes mínimos que não justificariam set up dos processos de flexografia ou rotogravura. Porém a qualidade de impressão exigida era alta, criando assim espaço para a utilização do novo equipamento, a HP série 20000, para embalagens flexíveis. O substrato utilizado era específico e laminado, o que não foi impedimento para o projeto.

A empresa americana Trü Roots também optou pelo uso da tecnologia de impressão digital para sua linha de arroz orgânico especial. A proposta foi um produto diferenciado, com vários sabores e com alta rotatividade de versões, já que os consumidores gostam de variar os sabores.

Ainda estamos longe do padrão de embalagens de outros países, que têm optado por opções diferenciadas, mais sofisticadas e com propostas relevantes e convenientes, que assim podem atrair e emocionar o consumidor, como disse Rick Bellamy, da RPI, importante gráfica dos Estados Unidos e membro da diretoria da DSCOOP: “Touch the heart, win the mind” (Toque o coração e ganhe a mente). Percebemos também a enorme oportunidade que a impressão digital abre para evoluir o padrão de design das embalagens ao diversificar as versões, possibilitando customização ou aproximação dos consumidores pela regionalização. Assim, o padrão de comunicação usado em Minas, por exemplo, poderia ser diferente do gaúcho ou nordestino, além da possibilidade de criar promoções relevantes e variações de apresentação, arte, cortes e formas. O mundo está cada vez mais dinâmico, e as embalagens também precisam ser!

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