Cultura aplicada às embalagens marroquinas

AS EMBALAGENS DE COSMÉTICOS NO MARROCOS VÊM APRESENTANDO UM DESENVOLVIMENTO EXTRAORDINÁRIO.

O Instituto de Embalagens foi para o Continente Africano, participou de reuniões e realizou pesquisas no norte da África para conferir qual é o atual estágio das embalagens da lá. No Marrocos se deparou com verdadeiras obras de arte nas embalagens que usam os elementos daquela cultura para aproximar os produtos dos consumidores.

Além desta característica marcante nos formatos e rótulos marroquinos, foi interessante observar vários outros aspectos e ver como as embalagens poderão contribuir para o desenvolvimento do Brasil.

Em outubro, em visita aos pontos de vendas da França e do Marrocos, constatamos que, assim como nas visitas realizadas à Alemanha, Bélgica e Croácia em maio, à Austrália e Nova Zelândia em janeiro e de norte a sul do Brasil ao longo deste ano, as grandes tendências rumam para o mesmo sentido. Nessas pesquisas, observamos que grandes mudanças vêm definindo um novo perfil de consumo. Estamos falando do aumento das populações dos países do Leste e do Oriente, assim como do incremento no número de habitantes urbanos em relação aos rurais; do crescimento geral da expectativa de vida; dos novos grupos de consumidores como os kids, teens e a terceira idade, além dos grupos menores e das tribos diversificadas; e da, talvez, maior de todas as mudanças: o novo papel da mulher que altera radicalmente as necessidades das embalagens, pois elas já são maioria na população; decidem ou orientam as compras.

O Marrocos, por exemplo, está experimentando um desenvolvimento extraordinário, acima de muitos países em desenvolvimento e muito maior que a maioria dos países africanos. Uma das características mais interessantes que observamos foi o forte traço da cultura marroquina nas embalagens em geral influenciando o design. No rótulo da tradicional cerveja Casablanca, a moldura criada pelos arcos, característica marcante da arquitetura moura, está presente em todas as portas, portões e janelas do país. A arquitetura marroquina é o resultado da arte hispano-mourisca e surgiu da união das culturas islâmicas e andaluzas. É a grande arte do detalhe com uma extraordinária riqueza decorativa de modo que sempre notamos o abuso de mosaicos e dourados, seja em madeira ou ferro, tudo é sempre muito adornado.

Os mesmos elementos culturais estão presentes nos pratos principais como o cuscuz que se apresenta tanto em cartucho quanto em embalagem flexível. E não é diferente nos produtos de perfumaria, higiene e produtos pessoais.

Os, agora famosos, produtos à base de óleo de argan, nas diversas apresentações mantêm sempre grandes arabescos, traços marrons e formatos nos rótulos como no exemplo da Cooperative Femme em hexágono. Aliás, destacamos a forte influência do cooperativismo do país; em quase todos os setores da economia: transporte, turismo, indústria alimentícia ou cosmética se trabalha em conjunto.

A natureza também marca presença e, sempre que possível, é retratada, seja por meio de ilustrações das árvores símbolos (tamareiras, baobás e as de argan) ou das suas sementes e castanhas.

Para africanos do norte, trazer no rótulo as sementes é como um atestado de que o produto é original ou natural. Naquela região, se usa e abusa das janelas transparente para mostrar o produto e superar assim barreira de idioma e aproximar os consumidores dos produtos nativos. Ainda que não se compreenda o idioma, é possível enxergar o produto e colocá-lo nas opções de compra. Outra característica marcante é o gosto pelos detalhes dourados, o que explica a quantidade de aplicação hot stamping como no caso do Styliss, um sérum a base de óleo de argan.

Existe uma lei (alinhada aos preceitos religiosos) que proíbe foto de pessoas nas embalagens, por isso para trabalhar naquela região, as empresas multinacionais precisam adequar seu design. Exemplo disso é a linha para cabelos da Colgate Palmolive, que lá é conhecida como Cadum. O design é sério ilustrando um fio de cabelo ao lado de folhinhas de menta.

Alguns produtos buscam a suavidade, como no caso das embalagens dos produtos da Argapur (óleo de massagem) que utiliza um tom suave de verde com arabescos sutis que lembram bem as folhas da verbena.

O sabonete Taous manteve um padrão mais europeu com a aplicação de uma ninfeta estilizada numa nuvem. O requinte foi mantido pela adoção da cor ouro na marca.

Embora enfatizem os aspectos artísticos das embalagens, eles não descuidam dos aspectos relacionados à conveniência e segurança, conforme observamos na maior parte das embalagens que têm válvulas, sprays e lacres.

A empresa que mais nos impressionou foi a Les Ryad des Sens, que carrega nos detalhes em todas suas linhas: banho, cabelo, acessórios. Observem a delicadeza dos frascos, a janela em formato de portas marroquinas nos cartuchos e as tampas maravilhosas que remetem às lanternas e aos chapéus típicos; um verdadeiro luxo cultural!

Para o nosso país, continuamos defendendo que perdem espaço e oportunidade as empresas que insistem em vender apenas produtos em uma única apresentação e que não investem em inovação. Até mesmo produtos orgânicos têm sido mais elaborados e contam com embalagens mais cuidadas, posicionando melhor as marcas, assim aumentando o valor das empresas. Aproveitar aspectos culturais é um caminho para sintonizar os consumidores com as marcas e produtos. Um exemplo disso é do grupo O Boticário, que desenvolveu recentemente uma embalagem usando o trabalho de um artista de São Luís do Maranhão em comemoração aos 400 anos da cidade. O perfume Acqua Fresca, ícone da marca, teve uma edição especial em embalagem com rótulo termoencolhível e cartucho ilustrado com uma arte que remetia aos famosos azulejos da cidade. Um brinde a nossa cultura e arte!

O Instituto defende que as empresas que estiveram

atentas às tendências e quiserem investir em inovação e adequar as suas embalagens agregando serviços e valores que os consumidores buscam, como conveniência, praticidade, segurança e sustentabilidade, estarão à frente no desenvolvimento dos seus projetos e conseguirão alavancar seus negócios por meio da competitividade.

Visitando os diferentes países concluímos que as empresas brasileiras estão num excelente momento para rever suas posições, design; desenvolver novos itens, novos trabalhos, sempre procurando entender e considerar toda a cadeia para entregar, no ponto de venda e no varejo, possibilidades impactantes para cada situação e região.

Em resposta a essa necessidade, o Instituto de Embalagens promoverá, em março do ano que vem, um workshop sobre Inovação, para ajudar a indústria a ter uma visão mais ampla sobre a real importância de ser competitiva para se firmar em 2013.

A nova sociedade impõe produtos melhores, práticos, bonitos, saudáveis, seguros e social e ambientalmente sustentáveis, além de culturalmente sintonizados e esse é um excelente caminho. Embalagem melhor. Mundo melhor. Assunta Napolitano Camilo: Diretora da FuturePack – Consultoria de Embalagens e do Instituto de Embalagens – Ensino & Pesquisa. Profissional de embalagens há 30 anos. Pesquisa feiras e PDVs do mundo desde 1986. Articulista, professora e palestrante internacional de embalagens. Coordenadora dos livros: Embalagens Flexíveis; Embalagens de Papelcartão; Guia de embalagens para produtos orgânicos; Embalagens: Design, Materiais, Processos, Máquinas & Sustentabilidade. Coordenadora do kit de Referências de Embalagens. Membro do Conselho Científico-Tecnológico do ITEHPEC.

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