Uma vitrine tecnológica

Considerada a mais importante feira do setor gráfico realizada a cada quatro anos, em Dusseldorf, na Alemanha, a Drupa 2012 aconteceu de 3 a 16 maio, reunindo 1.850 expositores de 52 países e 314,500 visitantes especialistas de 138 países (uma feira muito internacional, com cerca de 190.000 estrangeiros). Um público menor em relação à edição anterior, porém com o mesmo poder de decisão e volume de negócios. Sem dúvidas, ela é a feira mundial de comércio mais importante e a maior do setor B2B.

A Índia marcou presença, com 15 mil profissionais, tornando-se, assim, a segunda nação visitante, depois da Alemanha (123 mil). Atrás destes dois países no ranking estão: Bélgica, França, Holanda, Grã-Bretanha, EUA, Suíça e Itália. E com uma proporção crescente de visitantes da América do Sul e mais especificamente do Brasil. Importantes empresas brasileiras, com escritório ou fábricas no País, estavam presentes: Agfa, APP, Bobst, Comexi, Cyklop, Ecalc, Furnax, HB Fuller, Henkel, HP, IBF, Imgra, KBA, Kurz, Man Roland, Muller Martini, Rotatek, Rotomec, Sicpa, Siegwerk, Stora Enso, Suzano e WindMoeller & Holscher. Além de delegações de várias regiões do Brasil.

Outra importante constatação: o segmento de embalagens se tornou a grande vedete do setor de impressão, uma vez que os demais enfrentam a concorrência da mídia eletrônica. O sucesso foi também notado pela importância dada nos parques de inovação e no Drupa Cube que, este ano, dedicou um dia ao “Packaging”.

INOVAÇÕES EM TODOS OS PROCESSOS

Nesta edição, o evento focalizou temas como automação, impressão de embalagens, impressão digital, tecnologias híbridas, web-to-print e impressão ecológica. Por exemplo, 40% dos visitantes afirmaram que estavam interessados em máquinas de impressão digital e sistemas de impressão digital. Inovações em todos os processos, desde a pré-impressão, impressão e acabamentos. Assim como ferramentas para o adequado controle do fluxo de trabalho. Para cada situação, várias propostas de soluções e produtos.

O set e soluções de impressão digital agora são complementares ao invés de competir entre si. O foco das tecnologias de rotogravura e flexografia é oferecer menor tempo de setups, maior facilidade de operação, maior economia e mais ecológicas. Ao mesmo tempo, para atender os volumes menores, oferecem também máquinas com bandas mais estreitas e ampliam os ranges de atuação.

A Heidelberg, maior empresa de soluções gráficas do mundo, apresentou muitos equipamentos e serviços. De pronto, notava-se a preocupação com a questão ambiental. Por toda a parte, os informativos destacavam que a companhia compensa todo o impacto ambiental gerado, incluindo as viagens aéreas e de carro dos funcionários. Aliás, as máquinas também recebem este certificado de CO2 neutro e, se o cliente comprar uma máquina, pode solicitá-lo. Os números da empresa são impressionantes: 14 tipos de cursos para seus funcionários; formam mais de 650 alunos, atingindo 6% dos funcionários. Na Print Media Academy (PMA) há cursos para os clientes, desde pré-impressão até a gestão de empresas.

A Heidelberg conta com um sofisticado sistema de World Logistic Center (WLC) para atender o mundo todo com as peças de reposição que mantêm por 30 anos. Buscam o programa de zero defeito para todas as linhas: montagem, reforma e envio de peças. Contam com 130 mil itens em estoque, e os 4000 embarques de cada dia são apoiados por um sistema robotizado de até 1400 pick ups/hora. A busca pela precisão e garantia de qualidade é uma tônica, até mesmo engrenagens e as placas eletrônicas das máquinas são produzidas internamente. Para se ter uma ideia da grandiosidade, a tradicional máquina Speedmaster CD tem mais de 100 mil castelos rodando (imprimindo) no mundo. Atualmente, a empresa produz 2500 máquinas por ano, e a fábrica opera com 80% da capacidade tomada. Em média, a companhia entrega um pedido em três meses.

Na feira, a Heidelberg apresentou a nova máquina com 10 castelos: seis cores off-set, dois castelos de verniz com dois castelos de secagem entre eles (um pode ser UV e outro à base de água), para isso incluíram dois secadores. No final da linha, um esquema integrado de gestão da qualidade com espectofotômetro e um sistema de marcação de defeitos por ink jet (o Prinect Inspection Control) que permite separar as embalagens defeituosas pelo sinal do código de barras. Além disso, o sistema gerava um minucioso relatório.

A máquina tem o princípio de operação simplificada através de touch screen, com velocidade de até 18 mil folhas/hora, num tamanho de até 106 cm por 75 (ou seja, conseguiram dois cm a mais). O verniz flexo com cilindro anilox de 60l/m permite uma gramatura de até 20 g/m2. O verniz UV é uma parceria com a IST que oferece um UV reativo de baixa radiação, com secagem mais rápida. O verniz indicado é o Saphira. A máquina também está preparada para impressão de PP e PET.

A Heidelberg oferece também a opção em O&M de máquinas digitais através da parceria com a Ricoh e assinou uma carta de intenções para utilizar a tecnologia de Nanografia da Landa para a máquina digital que estão desenvolvendo. É esperar para conferir.

Na continuidade de corte e vinco, a empresa apresentou as máquinas DyMatrix e Varimatrix com aspectos integrados e leitura do mesmo sistema de inspeção da impressão. As novas coladeiras Diana, com alimentação automática e opção para 1, 3, 4 e até seis pontos de colagem, além, claro de formações

especiais, como para caixas de sanduíches que têm colagens diferenciadas. Além de novas troqueladoras e guilhotinas na linha Polar e a Gallus que estavam rodando com a versátil máquina rotativa, com entrada de bobinas e saída em folhas. Além de unidade Cold foil, uma unidade de roto-gravura, 4 cores flexo, um verniz e ainda uma serigrafia rotativa, tudo isso na mesma linha. As embalagens produzidas iam desde cartonadas, cartuchos, rótulo até embalagens flexíveis. Muito flexível!

Fabricante de máquinas de impressão de embalagens flexíveis, a Comexi lançou uma máquina off-set rotativa para substratos plásticos. A máquina C 18 imprimia com seis unidades de cores off-set (em tambor central) e duas unidades de flexografia para vernizes ou chapados. Ela foi desenvolvida para atender os prazos cada vez menores, com alta qualidade (permite lineatura de 80 l/cm); largura de 850 mm combina as qualidades físicas de um filme de poliéster com o look and feel de um produto de luxo. O papel surpreende em aplicações de impressão off-set devido à sua capacidade de impressão superior e secagem extremamente rápida. É indicado para aplicações com elevadas exigências de robustez com qualidade, com situações de impressos expostos a sol e chuva.

A empresa estreou na Drupa seu novo conceito de workflow, que permite a integração entre diferentes níveis de produção, desde a impressão em si, até o gerenciamento por parte da gráfica, num terceiro estágio, pelo cliente. “Queremos ajudar nossos clientes a se tornarem mais e mais automatizados”, disse Andy Grant, responsável pelo setor de softwares na Agfa.

Os investimentos na unidade da Agfa, em Suzano (SP) se justificam, acima de tudo, pelos resultados obtidos. A divisão gráfica responde, ainda, por 53% dos negócios globais da empresa. No Brasil, são comercializados cerca de 18 milhões de metros quadrados de chapa/ano.

A apresentação da nanografia pela Landa e seu fundador, Benny Landa, foi um show à parte. Trata-se de uma nova proposta de impressão baseada na nanociência. A nanografia não veio para substituir a impressão off-set, mas sim para complementar, uma vez que a segmentação dos mercados demanda cada vez mais tiragens menores.

A nanografia se baseia no princípio da compressão de nano pigmentos de apenas dez nanômetros (um nanômetro é 100 mil vezes menor que um fio de cabelo). O processo nanográfico começa com a ejeção de bilhões de gotas de tinta à base de água (tinta especial Landa Nano Ink® ) na blanqueta aquecida. Cada gota desta tinta cai no lugar exato, criando a imagem colorida desejada. Após a evaporação da água, a tinta torna-se um filme polimérico ultrafino.

O resultado pode ser transferido para qualquer substrato sem qualquer pré-tratamento (papel, papel cartão e plástico). O filme de tinta nano se fixa na superfície com alta resistência a abrasão e sem deixar resíduo na blanqueta. Não há necessidade de qualquer secagem posterior. Permite imprimir os dois lados do substrato e manuseá-lo em seguida, levando diretamente para a linha de acabamento.

A Landa mostrou seis impressoras high techs: três rotativas e três folha a folha, em três tamanhos e velocidades. Flexibilidade para atender qualquer mercado. Todas digitais para quaisquer substratos: livros, embalagens flexíveis ou papel cartão, e material promocional em até oito cores. Os equipamentos com telas de operação em touchscreen facilitam muito a vida dos operadores. As telas são praticamente do tamanho da máquina e parte delas é dedicada à gestão do processo. Ou seja, um único operador pode gerenciar todo o processo de impressão, cores e padrões ao lado da máquina sem ter que andar por toda a extensão do equipamento. A interface é autoexplicativa, muito amigável.

Sustentabilidade foi o tema mais destacado na feira, porém ainda mais falado do que praticado. Poucos trouxeram propostas efetivas, como redução de energia, água, reciclagem de aparas; tintas, vernizes e adesivos à base de água; mais cuidados com os restos de tintas e dos recipientes. Isso mostra dois aspectos: que as empresas entenderam que é necessário atender esta demanda e que há muito espaço ainda para se ocupar.

A próxima edição da Drupa será realizada de 2 a 15 de junho de 2016.

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